Autor: Filipe Manuel Neto
Aceitável, mas esquecível.
Vi esta série recentemente e confesso que custou um pouco a gostar dela. Os dois ou três primeiros episódios são uma introdução fria e pouco convidativa do que vem logo a seguir, e acredito que muitas pessoas que não gostaram da série simplesmente desistiram dela nesse ponto. Realmente, não é uma série que cativa nas primeiras impressões. E para ser honesto, também não é uma série fantástica, que vai ficar na nossa memória durante anos. Temos de colocar as coisas no devido lugar: é boa para passar algum tempo de ócio, mas só isso. Passadas três semanas do fim, eu já me tinha esquecido de que a tinha visto e não tenciono voltar a vê-la.
Não me vou deter na análise do enredo pois é razoavelmente complexo, mas posso dizer que há uma dose generosa de opções ilógicas, situações incompreensíveis e twists que foram introduzidos à martelada para a trama ser menos previsível e haver novidades em cada episódio. Por isso, não surpreende que haja uma imensidão de sub-tramas que se sucedem rapidamente por forma a manter a série num ritmo acelerado. O problema disso é que cada sub-trama é uma rápida sucessão de clichés sem interesse e que só raramente contribuem para o desenvolvimento das personagens ou da história geral, que progride aos solavancos e sem que se compreenda bem como foi delineada. De facto, os autores do roteiro não parecem dispor de um plano geral para a trama, limitando-se a “navegar à vista de costa”, como se estivessem a escrever uma telenovela sujeita a adaptações feitas à última hora para agrado das audiências.
Também não tenho muito para dizer sobre o elenco. Jessica Green é uma actriz competente que conseguiu ser protagonista após um trabalho bem feito como Cleópatra em “Roman Empire”, pelo que é uma aposta segura por parte da produção. Além da sua beleza física – ela é realmente bonita como mulher – deixa-nos mais um bom trabalho e vai, certamente, continuar a ter acesso a trabalhos televisivos aliciantes. Jake Stormoen é o “standard” dos actores jovens atraentes que fazem par romântico e não vai muito além desse cliché, enquanto o indiano Anand Dessai-Barochia fez um trabalho muito positivo e dá-nos uma personagem que pelo menos faz rir e provoca empatia. Imogen Waterhouse também é uma adição agradável, embora seja um pouco cansativo que as personagens de maior importância do enredo sejam quase totalmente mulheres, e os homens fiquem em posições secundárias ou apareçam como vilões ou engatatões para as heroínas.
A nível técnico, a série não nos traz nada de impressionante. Após o sucesso que “Game of Thrones” representou, é extraordinariamente difícil para uma série de fantasia competir de maneira consistente e apresentar valores de produção equiparáveis, por isso, se por um lado esta série foi lançada para aproveitar a popularidade deste tipo de material, por outro não tem como parecer extraordinariamente barata e pobre quando comparada aos grandes êxitos com os quais tenta desesperadamente competir. Apesar disso, o CGI é suficientemente bem feito e os cenários são esteticamente elegantes, numa imitação muito fantasiada de uma fortificação medieval de fronteira, longe de tudo e sem importância. A concepção de adereços e figurinos segue, grosso modo, o mesmo caminho. O pior, para mim, é a banda sonora, resumida a melodias incidentais que poderiam ser feitas por um estagiário de som num sintetizador de má qualidade.
Em 09 Dec 2024